CRM-GO 26390 · RQE 19335  |  CRM-RJ 52-1192191 · RQE 50955  |  Atendimento Exclusivamente Particular
Novidades em psiquiatria · 4 de novembro de 2026

Disfunção sexual e saúde mental: um assunto de consulta

Pouca gente fala sobre isso na consulta, e menos ainda puxa o assunto sozinho. Mas falta de desejo, dificuldade de ereção, dor na relação, dificuldade para chegar ao orgasmo e ejaculação precoce são queixas comuns, em homens e em mulheres. Muitas vezes estão ligadas ao humor, à ansiedade, ao estresse, ao relacionamento ou ao próprio remédio que a pessoa toma. Por isso a sexualidade faz parte da avaliação psiquiátrica.

Em resumo

O essencial em seis pontos

01

É comum

Em um grande estudo publicado no JAMA, 43% das mulheres e 31% dos homens relataram alguma disfunção sexual.

02

Via de mão dupla

A depressão aumenta o risco de disfunção sexual, e a disfunção sexual aumenta o risco de depressão.

03

Medo de falhar

A ansiedade de desempenho costuma manter o problema mesmo quando a causa inicial já passou.

04

Remédios contam

Vários antidepressivos podem reduzir o desejo ou atrasar o orgasmo, e existem formas de ajustar.

05

O corpo também

Diabetes, pressão alta, alterações hormonais e outras doenças precisam ser avaliados junto.

06

Tem tratamento

Tratar o humor e a ansiedade, ajustar remédios, terapia sexual ou de casal e cuidados clínicos.

Quais são as disfunções sexuais

Fala-se em disfunção sexual quando uma dificuldade persistente em alguma fase da resposta sexual causa sofrimento. As mais comuns são:

  • falta ou queda importante do desejo sexual;
  • dificuldade de excitação, que no homem aparece como disfunção erétil;
  • dificuldade ou demora para chegar ao orgasmo;
  • ejaculação precoce;
  • dor na relação.

Uma fase ruim depois de um parto, de um luto ou de semanas de muito trabalho não é disfunção. O que conta é a persistência, em geral por meses, e o sofrimento que isso traz para a pessoa ou para o casal.

Por que depressão e ansiedade mexem com a sexualidade

O desejo depende de energia, de prazer e de disponibilidade para o outro, justamente o que a depressão tira. Uma meta-análise publicada no Journal of Sexual Medicine mostrou que a relação é de mão dupla: a depressão aumenta o risco de disfunção sexual, e quem tem disfunção sexual tem mais que o dobro de chance de desenvolver depressão. Em homens, outra meta-análise encontrou o mesmo padrão entre depressão e disfunção erétil.

A ansiedade age de outro jeito. Na hora da relação, a pessoa sai da experiência e passa a se vigiar, pensando se vai dar certo. Basta uma falha para o medo de falhar de novo se instalar, e esse medo, sozinho, atrapalha a ereção, a lubrificação e o orgasmo. É a ansiedade de desempenho, muito comum em homens jovens com disfunção erétil que não têm nenhuma doença física.

Estresse crônico, burnout, traumas, conflitos no relacionamento, uso de álcool e de outras substâncias e insatisfação com o próprio corpo também entram na conta.

Quando o remédio é parte do problema

Vários antidepressivos, principalmente os da classe dos ISRS e alguns de ação dupla, podem diminuir o desejo, atrasar o orgasmo ou dificultar a ereção. Uma meta-análise mostrou que esse efeito varia bastante de um remédio para outro, e que alguns antidepressivos quase não causam o problema. Antipsicóticos, alguns remédios para pressão e o álcool também podem interferir.

Muita gente percebe o efeito e para o remédio por conta própria, sem contar ao médico. Isso é arriscado, porque a interrupção brusca pode causar sintomas de retirada e a volta da depressão ou da ansiedade. O melhor caminho é falar abertamente na consulta. Dá para ajustar a dose, trocar por um remédio com menos efeito sexual ou associar outro medicamento. Uma revisão Cochrane mostrou, por exemplo, que em homens com disfunção erétil causada por antidepressivo a sildenafila e a tadalafila ajudam.

Como é a avaliação

Na consulta, pergunto sobre sexualidade com a mesma naturalidade com que pergunto sobre sono e apetite. Quero entender quando a dificuldade começou, se aparece sempre ou só em algumas situações, como estão o humor, a ansiedade e o relacionamento, e quais remédios e substâncias a pessoa usa. Um detalhe ajuda muito: quando a ereção acontece normalmente ao acordar ou na masturbação, mas falha na relação, o componente emocional costuma pesar mais.

O corpo também precisa ser olhado. A disfunção erétil pode ser o primeiro sinal de diabetes, colesterol alto ou doença dos vasos, e alterações hormonais, como testosterona baixa ou mudanças na tireoide e na prolactina, podem reduzir o desejo. Nas mulheres, a menopausa e o pós-parto mudam a lubrificação e o desejo. Conforme o caso, peço exames e trabalho junto com urologista, ginecologista ou endocrinologista.

Como é o tratamento

O tratamento depende da causa. Quando a dificuldade vem de uma depressão ou de um transtorno de ansiedade, tratar o quadro de base costuma melhorar a vida sexual, desde que a escolha do remédio leve a sexualidade em conta desde o início. Quando o problema é efeito colateral, ajusto a medicação. Quando há ansiedade de desempenho, a psicoterapia, em especial a terapia sexual e, quando faz sentido, a terapia de casal, tem papel central e pode ser combinada com medicação por um período.

Falar de sexualidade não precisa ser constrangedor. É um assunto de saúde como outro qualquer, e tratar o problema costuma melhorar também a autoestima e o relacionamento. Veja também as páginas sobre depressão e ansiedade e o texto sobre menopausa e saúde mental.

Referências

Dr. Fernando Loyola, psiquiatra em Goiânia (CRM-GO 26390, RQE 19335)
Texto de Dr. Fernando Loyola, médico psiquiatra em Goiânia (CRM-GO 26390, RQE 19335), formado pela UFG e com residência em Psiquiatria no IPUB-UFRJ. Atende no consultório do Setor Oeste e por telemedicina.
Publicado em 4 de novembro de 2026 · Dr. Fernando Loyola · CRM-GO 26390 · RQE 19335

Conteúdo informativo, que não substitui uma avaliação médica individualizada. Se você tem pensamentos de morte, ligue para o CVV 188 (24 horas, gratuito) ou procure o pronto-socorro.

Dúvidas

Perguntas frequentes

Depressão pode causar falta de desejo sexual?

Sim. A depressão reduz energia, prazer e interesse, e isso inclui o desejo sexual. A relação é de mão dupla: a disfunção sexual também aumenta o risco de depressão.

Antidepressivo diminui a libido?

Alguns podem diminuir o desejo ou atrasar o orgasmo, e o efeito varia bastante entre os remédios. Não pare por conta própria: converse com o médico, que pode ajustar a dose, trocar ou associar outro medicamento.

Disfunção erétil pode ser psicológica?

Pode, principalmente em homens jovens e quando a ereção acontece normalmente ao acordar ou na masturbação. Ainda assim, causas físicas como diabetes e problemas vasculares precisam ser avaliadas.

Psiquiatra trata disfunção sexual?

Sim, quando ela está ligada a depressão, ansiedade, estresse, efeito de remédios ou outros fatores emocionais. Quando há causas clínicas, o tratamento é feito junto com urologista, ginecologista ou endocrinologista.

O que é ansiedade de desempenho?

É o medo de falhar na relação sexual. A pessoa passa a se vigiar durante o sexo, e essa tensão atrapalha a ereção, a excitação e o orgasmo, criando um ciclo. Psicoterapia e, em alguns casos, medicação ajudam a quebrar esse ciclo.

Precisa de uma avaliação?

Presencial no Setor Oeste, em Goiânia, ou online para todo o Brasil.

Agendar pelo WhatsApp
Agendar pelo WhatsApp