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Novidades em psiquiatria · 4 de novembro de 2026

Menopausa e saúde mental: quando o humor muda junto com o corpo

É comum chegar ao consultório uma mulher perto dos 45 ou 50 anos que sempre deu conta de tudo e, de repente, passou a acordar de madrugada sem conseguir voltar a dormir, a chorar com facilidade, a esquecer palavras no meio da frase e a se irritar com coisas que antes deixava passar. Os exames de rotina estão normais, e ela ouve que é estresse ou que é da idade. Muitas vezes é a perimenopausa, e o que essa fase faz com o humor, o sono e a concentração merece cuidado.

Em resumo

O essencial em seis pontos

01

Começa antes

A perimenopausa, fase de transição, começa anos antes da última menstruação, em geral a partir dos 40 e poucos anos.

02

Fase de mais risco

Estudos que acompanharam mulheres ao longo do tempo mostram risco maior de depressão na perimenopausa do que antes dela.

03

É comum

Uma meta-análise de 2026 encontrou sintomas depressivos em cerca de 1 em cada 3 mulheres nessa fase.

04

O sono pesa

Calorões e suor noturno interrompem o sono, e noites ruins pioram o humor, a memória e a irritação.

05

Quem já teve depressão

Mulheres com depressão anterior, TDPM ou depressão pós-parto precisam de atenção maior.

06

Tem tratamento

Antidepressivos e psicoterapia são a base. A terapia hormonal pode ajudar em alguns casos, decidida com o ginecologista.

O que é perimenopausa

Menopausa é a data da última menstruação, confirmada depois de 12 meses sem menstruar. Antes dela vem a perimenopausa, a fase de transição, que costuma durar alguns anos. Nesse período os ovários funcionam de forma irregular. O estrogênio sobe e desce sem padrão, os ciclos ficam mais curtos, mais longos ou falham, e aparecem os calorões, o suor noturno e as mudanças no sono.

Para o cérebro, o problema não é só a queda do estrogênio, mas a oscilação. É a mesma lógica da TDPM: algumas mulheres são mais sensíveis às variações hormonais e sentem mais o impacto no humor.

Sintomas emocionais da menopausa

Os mais comuns são irritabilidade, choro fácil, ansiedade, sensação de nervos à flor da pele, perda de interesse e de prazer, cansaço e queda da libido. Muitas mulheres também percebem dificuldade de concentração e esquecimentos, como perder palavras ou o fio do raciocínio. Isso costuma ser chamado de névoa mental. Na maioria das vezes as mudanças de memória são leves e melhoram depois da transição, mas assustam e merecem ser avaliadas.

Uma meta-análise publicada em 2026, com mais de cem estudos, encontrou sintomas depressivos em cerca de 1 em cada 3 mulheres na perimenopausa e na pós-menopausa, além de taxas altas de ansiedade e insônia. Os números variam de estudo para estudo, mas a mensagem é clara: é frequente e tem tratamento.

Menopausa ou depressão?

As duas podem existir juntas, e uma piora a outra. Os calorões acordam a mulher várias vezes à noite, o sono ruim deixa o humor mais frágil e o humor deprimido aumenta o peso dos sintomas físicos. Essa fase da vida também costuma trazer mudanças grandes: filhos saindo de casa, pais adoecendo, pressão no trabalho, mudanças no corpo e na vida a dois.

As diretrizes da Sociedade Norte-Americana de Menopausa, feitas junto com especialistas em depressão, orientam que a avaliação olhe para tudo isso ao mesmo tempo: a fase da transição, os sintomas da menopausa, os sintomas psiquiátricos, o momento de vida e outras doenças que imitam o quadro, como alterações da tireoide e anemia. As mesmas diretrizes mostram que a maioria das mulheres que tem depressão na perimenopausa já teve um episódio antes. Quem já passou por depressão, TDPM ou depressão pós-parto deve ficar mais atenta nessa fase.

Procure o psiquiatra se houver tristeza ou irritação na maior parte dos dias por mais de duas semanas, perda de interesse pelas coisas, ansiedade que atrapalha a rotina, insônia que não melhora, uso de álcool ou de remédios para dormir por conta própria e, principalmente, qualquer pensamento de morte.

Como é o tratamento

Na consulta, avalio humor, ansiedade, sono, memória, uso de álcool e outras substâncias, os remédios em uso e a história psiquiátrica e ginecológica. Peço exames quando é necessário e, sempre que possível, converso com o ginecologista, porque essa fase é mais bem tratada quando as duas especialidades trabalham juntas.

Quando há depressão, os tratamentos que funcionam para a depressão em qualquer idade, antidepressivos e psicoterapia, são a primeira escolha também na perimenopausa. Alguns antidepressivos têm uma vantagem a mais: reduzem os calorões, o que ajuda quem não pode ou não quer usar hormônio. A escolha do remédio considera sono, peso, libido e outros efeitos colaterais.

A terapia hormonal não é um tratamento aprovado para depressão, mas tem efeito sobre o humor em parte das mulheres na perimenopausa, principalmente nas que têm calorões. Um ensaio clínico publicado no JAMA Psychiatry mostrou que estradiol transdérmico com progesterona, usado por um ano, reduziu o aparecimento de sintomas depressivos em mulheres no início da transição. A indicação e a segurança da terapia hormonal são avaliadas pelo ginecologista, caso a caso.

Cuidar do sono é parte central do plano, assim como atividade física, menos álcool e atenção ao momento de vida. Nenhuma mulher precisa atravessar essa fase em silêncio achando que é normal sofrer. Veja também as páginas sobre insônia, depressão e ansiedade.

Referências

Dr. Fernando Loyola, psiquiatra em Goiânia (CRM-GO 26390, RQE 19335)
Texto de Dr. Fernando Loyola, médico psiquiatra em Goiânia (CRM-GO 26390, RQE 19335), formado pela UFG e com residência em Psiquiatria no IPUB-UFRJ. Atende no consultório do Setor Oeste e por telemedicina.
Publicado em 4 de novembro de 2026 · Dr. Fernando Loyola · CRM-GO 26390 · RQE 19335

Conteúdo informativo, que não substitui uma avaliação médica individualizada. Se você tem pensamentos de morte, ligue para o CVV 188 (24 horas, gratuito) ou procure o pronto-socorro.

Dúvidas

Perguntas frequentes

A menopausa pode causar depressão?

A perimenopausa é uma fase de risco maior para depressão, principalmente em mulheres que já tiveram depressão, TDPM ou depressão pós-parto. As oscilações hormonais, o sono ruim e as mudanças de vida contribuem. Não é algo que toda mulher terá, mas quando aparece precisa de tratamento.

Ansiedade na menopausa é normal?

É comum, mas não precisa ser aceita como normal quando atrapalha a rotina. Ansiedade, irritabilidade e crises de choro nessa fase podem ser avaliadas e tratadas.

Esquecimento na menopausa é sinal de demência?

Na maioria das vezes, não. Dificuldade de concentração e de lembrar palavras são comuns na transição e costumam ser leves e temporárias. Ainda assim, vale avaliar sono, humor e outras causas.

Reposição hormonal trata depressão?

A terapia hormonal não é aprovada como tratamento da depressão, mas pode melhorar o humor em parte das mulheres na perimenopausa, principalmente com calorões. A decisão é do ginecologista, em conjunto com o psiquiatra quando há sintomas de humor.

Psiquiatra ou ginecologista: quem procurar?

Os dois têm papel. O ginecologista cuida da transição hormonal e da terapia hormonal. O psiquiatra avalia e trata depressão, ansiedade e insônia. O ideal é que trabalhem juntos.

Precisa de uma avaliação?

Presencial no Setor Oeste, em Goiânia, ou online para todo o Brasil.

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