Os análogos de GLP-1, como semaglutida e liraglutida, e a tirzepatida, que age também em outro receptor, mudaram o tratamento de diabetes e obesidade. Eles também agem em áreas do cérebro ligadas à recompensa e ao impulso, por isso têm sido estudados em compulsão alimentar e uso de álcool. Já existem resultados de estudos, mas é preciso separar o que está comprovado do que ainda é pesquisa.
Resumo do estado atual das evidências, sem promessas.
Obesidade e diabetes são os usos aprovados mais conhecidos. A tirzepatida também foi aprovada para apneia do sono em adultos com obesidade. As indicações variam de produto para produto.
Meta-análise de ensaios clínicos em pessoas com obesidade mostrou menos compulsão e menos comer emocional, com efeito maior em quem tem o diagnóstico. A qualidade dos estudos ainda é limitada.
Ensaios clínicos com semaglutida mostraram menos fissura e menos dias de consumo pesado. Ainda são estudos pequenos ou de um só centro, e o uso é fora da bula.
Meta-análise na JAMA Psychiatry não encontrou aumento de suicídio ou autolesão, e a FDA chegou à mesma conclusão em 2026. Mesmo assim, mudanças de humor devem ser avaliadas.
Enjoo, vômitos e intestino alterado são os mais comuns. Também há riscos raros, como pancreatite.
Desde junho de 2025, a farmácia retém uma via da receita. Produtos sem registro na Anvisa não devem ser usados.
O psiquiatra pode prescrever análogos de GLP-1 quando há indicação, depois de avaliar cada caso. Em compulsão alimentar e alcoolismo, o uso é fora da bula: é uma decisão médica individual, que exige explicação clara dos benefícios e riscos e acompanhamento, e nenhum resultado pode ser garantido.
Antes de prescrever, avalio a história alimentar, o humor, o uso de álcool e outras substâncias, os remédios em uso e as condições clínicas, além de pedir exames quando necessário. Quem tem histórico de anorexia ou bulimia precisa de muita cautela, porque a redução do apetite pode agravar o quadro.
O remédio não substitui o tratamento. Em compulsão alimentar, a psicoterapia continua sendo um dos pilares. Em dependência de álcool, o plano inclui psicoterapia, outras medicações com eficácia comprovada e cuidado com a abstinência, que pode ser perigosa. O peso também costuma voltar quando o remédio é interrompido: em um estudo, os participantes recuperaram cerca de dois terços do que tinham perdido um ano depois de parar. Por isso o plano precisa ser pensado a longo prazo.
Evite compra sem receita e produtos sem registro na Anvisa ou de origem duvidosa, porque não há garantia do que contêm.
Dor abdominal forte e persistente, principalmente com vômitos, pede avaliação médica urgente. Tristeza intensa ou pensamentos de morte também: CVV 188 ou SAMU 192.
Converse com seu médico antes de usar. Esses remédios não são indicados na gestação.
Uma meta-análise de 2026 mostrou redução da compulsão em pessoas com obesidade, mas os estudos têm limitações e faltam pesquisas maiores com pessoas com diagnóstico formal. O uso é fora da bula e depende de avaliação médica.
Ensaios publicados na JAMA Psychiatry e na The Lancet mostraram menos fissura e menos dias de consumo pesado, mas ainda são estudos pequenos ou de um só centro. É um uso fora da bula, que faz parte de um plano com psicoterapia e outras medidas.
Uma meta-análise de ensaios clínicos na JAMA Psychiatry não encontrou aumento de suicídio ou autolesão, e a FDA concluiu o mesmo em janeiro de 2026. Ainda assim, qualquer mudança importante de humor deve ser avaliada.
Em dois ensaios clínicos publicados no New England Journal of Medicine, a tirzepatida reduziu o número de apneias por hora em adultos com obesidade e apneia moderada a grave, usando ou não CPAP. Ela foi aprovada no Brasil para esse quadro, mas não dispensa a avaliação do sono nem o CPAP quando indicado.
Sim. Qualquer médico pode prescrever quando há indicação, após avaliação e com acompanhamento.
Sim. Desde junho de 2025, a farmácia retém uma via da receita, conforme regra da Anvisa.