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Novidades em psiquiatria · 4 de novembro de 2026

Puberdade e saúde mental: o que observar nos filhos

A puberdade muda tudo ao mesmo tempo: o corpo, os hormônios, o sono, as amizades e a forma como o adolescente se vê. Mau humor, vontade de ficar no quarto e brigas por pouca coisa fazem parte do pacote, e os pais muitas vezes ficam sem saber o que é fase e o que é sinal de que algo não vai bem. Essa dúvida é importante, porque muitos transtornos mentais começam justamente nessa época.

Em resumo

O essencial em seis pontos

01

Janela de início

Cerca de 1 em cada 3 transtornos mentais começa antes dos 14 anos, e quase metade antes dos 18.

02

Menarca e humor

Os sintomas depressivos tendem a aumentar nas meninas depois da primeira menstruação.

03

Antes dos colegas

Quem entra na puberdade antes do grupo tem risco um pouco maior de problemas emocionais, meninas e meninos.

04

Não é só fase

Tristeza, irritação ou isolamento que duram semanas e atrapalham a escola merecem avaliação.

05

O sono muda

O relógio biológico atrasa na adolescência, e dormir pouco piora humor e atenção.

06

Conversa abre portas

Pais que perguntam sem julgar costumam saber mais cedo quando algo não vai bem.

O que muda na puberdade

A puberdade começa, em geral, entre 8 e 13 anos nas meninas e entre 9 e 14 anos nos meninos. Nas meninas, um marco é a menarca, a primeira menstruação, que costuma vir cerca de dois anos depois do início do crescimento das mamas. Nos meninos, as mudanças na voz, nos pelos e no corpo vêm com um estirão de crescimento.

Ao mesmo tempo, o cérebro passa por uma grande reorganização. As áreas ligadas à emoção e à busca de novidade amadurecem antes das que controlam o impulso e o planejamento, que só terminam de amadurecer no começo da vida adulta. Isso ajuda a entender por que as emoções ficam mais intensas e as decisões, às vezes, mais impulsivas.

O sono também muda. O relógio biológico do adolescente atrasa, e o sono passa a chegar mais tarde, mas a escola continua começando cedo. O resultado é uma privação de sono crônica, que piora o humor, a atenção e a irritabilidade.

Menarca e humor nas meninas

Um estudo que acompanhou milhares de meninas no Reino Unido, dos 13 aos 26 anos, mostrou que os sintomas depressivos aumentam depois da menarca, qualquer que seja a idade em que ela acontece. As meninas que menstruam antes das colegas têm mais sintomas aos 14 anos, e as que menstruam mais tarde acabam chegando ao mesmo nível alguns anos depois.

Entrar na puberdade antes do grupo pesa por motivos biológicos e sociais. O corpo muda antes de a menina estar emocionalmente preparada, ela pode receber uma atenção que ainda não sabe administrar e se sente diferente das amigas. Uma meta-análise de 2017 mostrou que a puberdade precoce em relação aos colegas se associa, de forma pequena mas consistente, a mais problemas emocionais e de comportamento, tanto em meninas quanto em meninos.

Para algumas adolescentes, o ciclo menstrual também traz oscilações de humor fortes na semana antes da menstruação. Quando isso é intenso e se repete todo mês, vale pensar em TDPM, que pode começar já nessa fase.

Meninos também sentem

Nos meninos, o sofrimento costuma aparecer menos como tristeza e mais como irritação, explosões, isolamento, queda no rendimento escolar ou comportamento de risco, como uso de álcool, apostas online e brigas. Muitos têm dificuldade de falar sobre o que sentem e acabam vistos só como rebeldes. A comparação com o corpo dos colegas, a pressão do grupo e o excesso de redes sociais também mexem com a autoestima.

Quando a fase vira sinal de alerta

Cerca de um terço das pessoas com algum transtorno mental tem os primeiros sintomas antes dos 14 anos, e quase metade antes dos 18, segundo uma meta-análise com mais de 700 mil pessoas. Por isso a adolescência é uma janela importante para reconhecer e tratar cedo. Procure avaliação se perceber:

  • tristeza, irritação ou desânimo na maior parte dos dias por mais de duas semanas;
  • isolamento dos amigos e perda de interesse pelo que antes gostava;
  • queda importante nas notas ou recusa de ir à escola;
  • mudanças grandes no sono ou no apetite, dietas muito restritivas, compulsão ou vômitos;
  • preocupação excessiva com o corpo e o peso;
  • crises de ansiedade, medos que limitam a rotina ou rituais repetitivos;
  • uso de álcool, cigarro eletrônico, outras drogas ou apostas;
  • automutilação ou falas sobre morte e sobre não querer viver.

O último item é urgente. Se o adolescente fala em morrer ou se machuca, procure ajuda no mesmo dia. O CVV atende pelo telefone 188, 24 horas.

Como os pais podem ajudar

Perguntar ajuda mais do que adivinhar. Um "como você está de verdade?" em um momento tranquilo, sem pressa e sem sermão, abre mais portas que um interrogatório depois de uma briga. Ouvir sem diminuir o problema e sem dramatizar também conta. Rotina de sono, refeições em família e limite no uso de telas à noite são cuidados simples que fazem diferença.

Na avaliação psiquiátrica do adolescente, converso com ele sozinho e com a família, porque cada um enxerga uma parte da história. O sigilo do adolescente é respeitado, com exceção das situações de risco. Quando há indicação, o tratamento combina psicoterapia, orientação à família, contato com a escola e, se necessário, medicação, com acompanhamento próximo. Veja também a página sobre psiquiatra para adolescentes.

Referências

Dr. Fernando Loyola, psiquiatra em Goiânia (CRM-GO 26390, RQE 19335)
Texto de Dr. Fernando Loyola, médico psiquiatra em Goiânia (CRM-GO 26390, RQE 19335), formado pela UFG e com residência em Psiquiatria no IPUB-UFRJ. Atende no consultório do Setor Oeste e por telemedicina.
Publicado em 4 de novembro de 2026 · Dr. Fernando Loyola · CRM-GO 26390 · RQE 19335

Conteúdo informativo, que não substitui uma avaliação médica individualizada. Se você tem pensamentos de morte, ligue para o CVV 188 (24 horas, gratuito) ou procure o pronto-socorro.

Dúvidas

Perguntas frequentes

Mau humor na adolescência é normal?

Oscilações de humor e mais irritação são comuns na puberdade. Passa a ser sinal de alerta quando dura semanas, aparece na maior parte dos dias e atrapalha a escola, as amizades ou a convivência em casa.

A primeira menstruação afeta o humor?

Estudos mostram que os sintomas depressivos tendem a aumentar nas meninas depois da menarca, principalmente quando ela vem antes da das colegas. A maioria passa bem por essa fase, mas vale observar mudanças persistentes.

Quando levar o adolescente ao psiquiatra?

Quando há tristeza ou irritação persistentes, isolamento, queda nas notas, mudanças no sono ou na alimentação, ansiedade que limita a rotina, uso de substâncias ou apostas, e sempre que houver automutilação ou falas sobre morte.

Puberdade precoce causa problemas emocionais?

Entrar na puberdade antes dos colegas se associa a um risco um pouco maior de problemas emocionais e de comportamento, em meninas e meninos. Não é destino, mas é motivo para acompanhar de perto.

O psiquiatra conta aos pais o que o adolescente diz?

O sigilo do adolescente é respeitado, o que ajuda a criar confiança. A exceção são as situações de risco, como risco de suicídio ou de violência, em que a família precisa ser informada.

Precisa de uma avaliação?

Presencial no Setor Oeste, em Goiânia, ou online para todo o Brasil.

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